Lagarta-do-cartucho: como identificar, monitorar e controlar 

Aprenda a identificar, monitorar e controlar a lagarta-do-cartucho com o guia Cocamar, uma praga que causa perdas de mais de 30% na produção.

lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda), também conhecida por muitos produtores como lagarta militar, é considerada a principal praga da cultura do milho no Brasil, podendo causar perdas econômicas de mais de 30% na produção em casos de infestações severas. 

Embora o milho seja seu hospedeiro favorito, essa praga é polífaga e ataca diversas outras culturas de importância econômica, como soja, sorgo, algodão e trigo

Para controlá-la com eficácia, a estratégia deve ser baseada no monitoramento constante, na intervenção ao atingir o nível de controle (10% a 20% de plantas atacadas) e na adoção do Manejo Integrado de Pragas (MIP), unindo ferramentas biológicas e químicas. 

Neste guia completo, você aprenderá como combater lagarta-do-cartucho através do manejo integrado de pragas milho (MIP). Aprenda a identificar os sinais da praga na lavoura, como realizar o monitoramento correto e entenda quais as fases mais críticas para o controle. 

Além disso, detalhamos as melhores práticas de controle biológico e químico, o uso da tecnologia Bt (bacillus thuringiensis) e como a rotação de ativos é o seu maior trunfo para proteger a sua lavoura. Continue a leitura! 

Como identificar a lagarta-do-cartucho na lavoura 

O primeiro passo para um plano de ação eficiente é saber exatamente com quem você está lidando. A Spodoptera frugiperda passa por quatro fases que você precisa conhecer para monitorar a lagarta-do-cartucho no milho

  • Ovo: depositados em massas (escamas da mariposa) na face superior das folhas. 
  • Lagarta jovem: parda ou esverdeada (1–2 cm). Aqui elas começam raspando as folhas, deixando aquele aspecto translúcido. 
  • Lagarta desenvolvida: escura (4–5 cm). O grande diferencial é a marca em formato de “Y” invertido na cabeça
  • Adulto: mariposa cinza-escura com hábitos noturnos. 

Fique atento aos sinais: começam com folhas raspadas, evoluem para orifícios no cartucho e, em estágios avançados, você encontrará “serragem” (fezes) no interior da planta. O estágio mais crítico ocorre quando as lagartas estão entre o 3º e o 6º instar, protegidas dentro do cartucho do milho. 

Lagarta-do-cartucho, Spodoptera frugiperda, em folha de milho.

Após essa identificação visual, o próximo passo é quantificar o dano para decidir o melhor momento para agir. 

Quando agir: monitoramento e nível de dano econômico 

Para que o manejo seja eficiente e econômico, você precisa saber o momento exato da intervenção. Tudo começa com um monitoramento criterioso para entender a real pressão da praga no talhão. 

Realize o caminhamento em “X” ou zig-zag para cobrir toda a área, avaliando 10 plantas por ponto em, no mínimo, 5 pontos por talhão (totalizando 50 plantas analisadas). 

Com os dados da amostragem em mãos, o parâmetro para definir o nível de controle lagarta-do-cartucho é quando a infestação atinge entre 10% e 20% de plantas com lagartas vivas ou a presença de fezes e raspaduras frescas no cartucho. 

Essa vigilância é ainda mais vital em períodos nos quais a planta está mais suscetível ao ataque. 

Fases críticas do milho que a lagarta-do-cartucho ataca

No milho safrinha, a pressão da lagarta-do-cartucho é muito maior devido à “ponte verde” criada pela safra de verão. Sem intervalo sanitário, o ciclo da praga continua intenso, exigindo atenção redobrada nestes períodos: 

  • Vegetativo (V4–V8): este é o estágio mais vulnerável de todos. A planta oferece o abrigo e o alimento ideal para a praga por estar em pleno desenvolvimento. É aqui que o monitoramento deve ser diário. 
  • Reprodutivo: durante o florescimento e o enchimento de grãos, a lagarta pode abandonar o cartucho e atacar diretamente as espigas. Isso resulta em perda direta de peso e qualidade de grãos, além de abrir porta para a entrada de fungos. 

Entender esses momentos de risco é o que permite ao produtor escolher as melhores ferramentas de controle estratégico. 

Lagarta-do-cartucho, Spodoptera frugiperda, em espiga de milho.

Como controlar a Spodoptera frugiperda

Controlar a Spodoptera exige estratégia de guerra, já que não existe uma “bala de prata” contra uma praga tão resiliente. O segredo é o Manejo Integrado de Pragas (MIP): em vez de depender de apenas uma ferramenta, você combina diferentes táticas para cercar o problema por todos os lados. 

Ao unir o controle biológico, químico e boas práticas culturais, você não apenas elimina a lagarta-do-cartucho, mas também evita a resistência no campo, protegendo a eficácia das tecnologias para as próximas safras. 

Milho Bt: como a tecnologia ajuda no controle da lagarta 

tecnologia Bt funciona como uma base de proteção constante, agindo como a primeira barreira da lavoura ao expressar proteínas que combatem a lagarta logo no ataque inicial.  

Dentro do MIP, ela é uma ferramenta estratégica que reduz a pressão de infestação, permitindo que as intervenções químicas e biológicas sejam feitas com muito mais precisão. 

No entanto, essa genética não é uma solução isolada e exige o compromisso com as áreas de refúgio para evitar a resistência da praga. Integrar o milho Bt com o monitoramento rigoroso é o que garante a sustentabilidade do campo, assegurando que essa proteção continue eficiente e protegendo o teto produtivo do produtor safra após safra. 

Complementando essa genética, o uso de agentes biológicos para o controle da lagarta-do-cartucho tem ganhado cada vez mais força. 

Controle biológico: agentes naturais e produtos biológicos 

Aliados naturais podem fazer o trabalho pesado para você: 

  • Tesourinha (Doru luteipes): predador voraz de ovos e lagartas pequenas. 
  • Vespinhas parasitoides de ovos (Trichogramma pretiosum e Telenomus remus): a liberação preventiva impede que a praga sequer chegue à fase de lagarta. 
  • Bioinseticidas: à base de bt (bacillus thuringiensis), baculovírus e fungos como o beauveria bassiana
Infográgico destacando os agentes de controle biológico da lagarta-do-cartucho, Spodoptera frugiperda. Em destaque a tesourinha e as vespinhas parasitoides.

Controle químico: inseticidas e boas práticas de aplicação 

Quando o nível de controle é atingido, o químico entra em cena. Para não errar: 

  • Grupos químicos: utilize ativos registrados como diamidas, espinosinas e organofosforados
  • Rotação de ativos: jamais use o mesmo grupo químico seguidamente. Isso “ensina” a praga a ficar resistente. 
  • Momento ideal: aplique quando as lagartas estiverem nos primeiros instares. 
Trator pulverizando inseticidas na lavoura para o controle da lagarta-do-cartucho, Spodoptera frugiperda.

Monitoramento é a chave para o sucesso na colheita 

sucesso no manejo da lagarta-do-cartucho está na rapidez de resposta. Quem monitora cedo e identifica os primeiros sinais da praga consegue proteger o potencial produtivo da lavoura com muito mais eficiência. 

Quer reforçar sua estratégia? Explore nossa categoria de insumos agrícolas e encontre as melhores soluções para proteger a sua lavoura na Loja Cocamar. 

Deixe um comentário